A usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, enfrentou um novo desafio com uma queda de energia que afetou os sistemas de resfriamento do combustível nuclear usado. Essa situação levanta preocupações sobre o risco de superaquecimento e possível liberação de radiação perigosa. No entanto, especialistas afirmam que, devido à idade do combustível, ele deve se manter seguro até que a energia seja restaurada.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que diversas subestações elétricas ucranianas sofreram ataques das forças russas, resultando em apagões em Chernobyl. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que a agência está monitorando a situação para avaliar o impacto na segurança nuclear.
O combustível nuclear utilizado nos reatores continua a emitir radiação por muitos anos, gerando calor que precisa ser dissipado. Caso contrário, há o risco de derretimento do combustível e liberação de radiação. O combustível de Chernobyl é armazenado em um grande tanque de resfriamento, que é continuamente abastecido com água fria para manter a temperatura adequada. Contudo, a falta de eletricidade dificultou esse resfriamento, o que pode aumentar a temperatura da água e acelerar a evaporação.
De acordo com Paul Cosgrove, da Universidade de Cambridge, o combustível retirado dos reatores ainda está quente inicialmente devido a produtos de fissão radioativa. É necessário remover esse calor, ou o combustível pode derreter. No entanto, a boa notícia é que o combustível armazenado em Chernobyl é mais velho e já teve tempo para liberar parte de sua energia radioativa e esfriar, o que reduz os riscos em comparação a anos anteriores.
Embora a perda de energia em um local nuclear seja sempre preocupante, especialistas ressaltam que os riscos associados à situação atual em Chernobyl são menores do que aqueles enfrentados em 2022, quando ocorreram apagões semelhantes. A história de Chernobyl é marcada por eventos significativos, como a explosão do reator 4 em 1986. Desde então, os outros reatores foram desativados: o reator 2 foi desligado em 1991, o reator 1 em 1996 e o reator 3, o último em operação, foi descomissionado em 2000.
Os detalhes sobre as piscinas de armazenamento do combustível remanescente de Chernobyl são mantidos em sigilo. No entanto, uma inspeção realizada em 2022 por reguladores apontou que o risco de superaquecimento do combustível em caso de queda de energia era considerado baixo. O combustível já está armazenado há 20 anos, o que significa que grande parte da sua energia já foi dissipada.
Desde a invasão em larga escala da Rússia, o fornecimento de eletricidade em Chernobyl e em grande parte da Ucrânia tem sido instável. Nos últimos meses, os ataques russos à infraestrutura ucraniana aumentaram. A perda de energia em Chernobyl é mais um episódio que compromete a segurança nuclear, que já havia sido afetada pela ocupação da usina e pela interrupção nas operações de manutenção, além de ataques à usina nuclear de Zaporizhzhia e ao prédio que abriga os destroços da explosão do reator 4.































