O Royale Union Saint-Gilloise, clube de futebol da Bélgica, vive um momento histórico após conquistar seu primeiro título em 90 anos, o que garantiu sua participação na Liga dos Campeões pela primeira vez na história. O diretor esportivo do clube, Chris O’Loughlin, compartilhou suas experiências emocionantes desde a conquista do título, como o sorteio da fase de grupos realizado em Mônaco, onde se deparou com nomes de peso do futebol europeu. Ele descreveu essa experiência como surreal.
O clube fez sua estreia na Liga dos Campeões com uma vitória impressionante sobre o PSV Eindhoven, campeão holandês, vencendo por 3 a 1 fora de casa. O’Loughlin recorda a sensação de estar preso no trânsito em Antuérpia antes da partida e como tudo parecia incrível após anos de dificuldades. Ele sentiu uma grande emoção ao ver seus jogadores no gramado, acompanhados pela famosa música da competição.
Fundado em 1897, o Royale Union Saint-Gilloise teve um início promissor, conquistando 11 títulos belgas antes da Segunda Guerra Mundial. No entanto, após um período de queda, chegou a jogar na quarta divisão. A virada começou em 2018, com uma nova administração, que trouxe uma nova visão para o clube. Em 2021, o Saint-Gilloise retornou à primeira divisão pela primeira vez desde 1972 e, desde então, tem se destacado, mesmo enfrentando desafios nas fases de play-off.
O’Loughlin relembra o trabalho árduo e a visão necessária para transformar o clube. Ele menciona que a ambição sempre foi competir em alto nível, mas que isso exigiu muito mais do que um plano de negócios. A importância de ter as pessoas certas em todas as áreas do clube foi fundamental para o sucesso alcançado. Ele destaca que a conquista do título não foi apenas uma questão de investimento financeiro, mas sim o resultado de um esforço coletivo.
Um exemplo dessa trajetória é o defensor inglês Christian Burgess, que se juntou ao clube em 2020, quando ainda estava na segunda divisão. Hoje, com 33 anos, ele é um dos líderes da equipe e fez sua estreia na Liga dos Campeões como capitão.
O clube também se destacou na formação de jovens talentos, comprando jogadores a preços acessíveis e vendendo-os por valores significativos. O’Loughlin menciona que a venda de jogadores como Cameron Puertas e Victor Boniface contribuiu para a sustentabilidade financeira do clube. Ele observa que, apesar das dificuldades, o Saint-Gilloise manteve sua identidade e continuou a desenvolver o elenco.
Uma mudança significativa ocorreu em 2024, quando o treinador Alexander Blessin deixou o clube. O Saint-Gilloise optou por contratar Sebastien Pocognoli, que era seu primeiro trabalho como treinador principal. A equipe enfrentou um início difícil na liga, mas O’Loughlin decidiu manter a confiança em Pocognoli, mesmo diante da pressão externa. Essa decisão acabou se mostrando acertada, pois a equipe se recuperou e conquistou o título.
Atualmente, o clube está investindo em melhorias estruturais, como um novo centro de treinamento próximo a Bruxelas. Essas melhorias incluem campos com drenagem adequada e instalações modernas, como uma câmara de crioterapia e uma piscina. O’Loughlin expressa otimismo em relação ao futuro, afirmando que o clube agora é autossustentável e já está se preparando para a próxima temporada.
Para o Royale Union Saint-Gilloise, a participação na Liga dos Campeões não é o fim, mas o começo de uma nova era. O clube está pronto para continuar sua trajetória de crescimento e superação no cenário do futebol europeu.
































